Nestes quarenta dias de vivência quaresmal, o Senhor nos convida a um tempo de penitência e reconciliação com Deus e com os irmãos. Em outras palavras, somos chamados a conversão. É o tempo propício para fazermos a experiência do jejum, da caridade e de intensificarmos nossas orações. Mas por que fazemos todas essas práticas?
Como relata o hino das vésperas para este tempo quaresmal: “abstinência quaresmal, vós consagrastes ó Jesus, pelo Jejum e pela prece nos conduzis das travas à luz”. A quaresma, portanto, só tem sentido por causa da páscoa. É para nos conduzir das trevas do pecado à luz da vida que jesus morreu por nós. Por isso, é um tempo favorável de conversão, de mudança de vida. De deixar para trás as velhas ações, e vestir-se das armas da luz.
Quando pensamos em quaresma, logo nos vem à mente uma série de restrições. Não se pode comer carne nas sextas-feiras, não se pode dançar ou fazer festas, não se pode cantar o glória nas missas e nem o aleluia. Isso tudo é importante, mas só tem sentido se essas práticas surtirem algum efeito em nós. Alguma mudança de vida. Ou seja, mas do que ser um tempo de dizer não para uma série de coisas, devemos dizer sim para a vida, sim para Cristo, sim para uma nova criatura.
As leituras que ouviremos neste tempo, nos ajudam nesta dinâmica de pensar em nossa vida para podermos celebrar a paixão e a morte do Senhor e sua vitória gloriosa na ressurreição. Somos com Jesus levados ao deserto para nos colocar em oração, lá recebemos as tentações da vida. Ele nos leva a montanha, para contemplar a sua glória, mas nos pede para descer e viver o dia a dia. Nos pede que sejamos uma árvore que produza frutos para o mundo. O senhor nos acolhe e nos faz voltar a casa do Pai que nos recebe de braços abertos. E por fim, ele nos ensina a não jogar a primeira pedra por que todos temos pecados dos quais precisamos nos arrepender. Nesta dinâmica litúrgica, vamos percorrendo as cinco semanas da quaresma, para celebrar com alegria o solene tríduo pascal.
A Igreja no Brasil, durante este tempo da quaresma, nos convida também a uma conversão social através da Campanha da Fraternidade. Neste ano tem como tema: Fraternidade e políticas públicas. E como lema: “serás liberto pelo direito e pela justiça” (Is 1,27). Somos convidados a refletir sobre o papel do Estado e das políticas de governo que devem sempre mais garantir a vida e a dignidade do ser humano, desde a sua concepção até seu declínio natural, passando pelos mais diversos setores da sociedade, garantindo saúde, moradia, saneamento, segurança, sustentabilidade, terra e trabalho.
Por fim, podemos perceber que de fato esse é um tempo favorável para praticar os exercícios quaresmais com fé e devoção, procurando uma vida nova. Não deixe para amanhã. Pois este é o tempo de conversão, este é o dia da salvação. De voltar para o Pai juntos como comunidade.
Diácono Álvaro Emanoel da Silva
Diocese de Lages