A conversão do filho que renegara a mãe

Eis um caso da grande misericórdia de Maria narrado num Boletim eclesiástico dos Estados Unidos.

No começo deste século, no Estado da Luisiana, vivia um casal de fervorosos católicos e afetuosos devotos de Nossa Senhora; a seu único filho, inspiraram cedo a mesma devoção a Maria e impuseram-lhe o escapulário.

Quando frequentou a universidade, o filho perdeu a fé e largou toda prática religiosa, menos o bentinho que ainda levou consigo.

Como era advogado eloquente, adquiriu elevada fortuna em Nova Orleans; mandou construir esplêndido castelo, fez-se servir por inúmera criadagem e chegou a ser eleito senador.

Rompeu todas as relações com a família, até com a mãe, que procurava debalde visitá-lo. Desolada, esta recorreu à Mãe de Deus. Ajoelhada aos pés da imagem de Maria, dia e noite pranteava o filho perdido implorando que ele se convertesse.

Finalmente, publicam os jornais que o senador F., seu filho, está com febre amarela e desenganado dos médicos.

Então a mãe exclama: “Quero ver se me deixam entrar”. Parte, pois, e chega ao palácio do filho: o porteiro a repele com desdém. Felizmente chega o médico; vendo-a soluçando e sabendo que era a mãe, leva-a consigo até o enfermo. É visível que o senador se encaminha rápida e fatalmente para a morte; é questão de poucos dias, de horas talvez. Debulhada em lágrimas, a mãe atira-se sobre o leito gritando: “Eli, ó meu filho Eli! quanto rezei por ti!”

Em extremo comovido, o doente começa a chorar e depois diz com voz fraca: “Mãe, fui muito mau, pequei demais; fiz-me pagão. Deus não pode perdoar-me”.

— “Meu filho, é verdade, tu me magoaste muito; no entanto, nunca me esqueci de ti! Por acaso, poderia Nossa Senhora, que outrora tanto veneraste, e cujo escapulário ainda conservas ao peito, como estou vendo, poderia ela ser menos indulgente que tua mãe da terra? Não é possível. Não tenhas receio, filho, por mais culpado que sejas, ela te obterá o perdão!”

Depois de copioso pranto, o filho respondeu: “Mamãe, a senhora tem razão; quero converter-me; quero morrer filho de Maria”.

Chamam logo um padre. O senador confessa-se e recebe os últimos Sacramentos de modo edificantíssimo.

Viveu ainda dois dias, feliz e devotíssimo à Virgem imaculada. Antes de expirar legou aos órfãos seu palácio e mais bens, sob o título de Orfanato de Nossa Senhora.

Extraído do livro: Nossa Senhora Curso Médio de Catecismo Mariano

Por Eduardo Doege