A conversão de Clóvis, Rei dos Francos

A Europa do século V vivia uma grave crise, com a queda do Império Romano do Ocidente em 476 d.c. se instala o caos social, com saques nas cidades, desurbanização e insegurança generalizada, esse também foi um período de grande perigo para a fé católica, os bárbaros eram em grande parte pagãos, mas muitos já haviam abraçado a heresia ariana pregada pelo Bispo Ulfilas. A heresia ariana fora criada por um presbítero de Alexandria (norte da África – atual Egito) de nome Ário, negava que Jesus tivesse a mesma condição divina de Deus Pai. Tal heresia agitava as mentes e corações da época representando grave ameaça a ortodoxia católica, a respeito da heresia Ariana disse Santo Agostinho certa vez: “O mundo adormeceu Católico e acordou Ariano”.

Deus, em sua providência, age através dos seus santos, na cidade de Reims (norte da França) o bispo São Remígio (Rémy em Francês) enxergou no povo Franco a possibilidade de reversão desse difícil quadro, o povo franco era um povo bárbaro que vivia na Gália, atual França, era um povo ainda pagão que na época tinha como rei Clóvis, Remígio conseguiu um arranjo político, diplomático e espiritual, conseguindo através de negociações, convencer ao Rei Clóvis que tomasse por esposa a princesa católica Clotilde (santa canonizada pela Igreja), esta santa mulher trabalhou com temor e tremor não só para a própria salvação, mas principalmente para a conversão de seu marido e de seu duro coração de guerreiro. Nos descreve Daniel-Rops:

“Assim que se viu casada, Clotilde começou a trabalhar para a conversão do seu esposo. O resultado, porém, não foi imediato, pois Clóvis ainda se conservou pagão durante cinco ou seis anos, e essa obstinação representou um excelente augúrio quanto à sinceridade da sua futura adesão. Deixa que batizem o primeiro filho que lhes nasce, mas, quando este morre, exclama para a esposa: ‘Os meus deuses tê-lo-iam curado; o teu não o salvou!’ Nasce-lhes um segundo filho, que é batizado e que adoece também; mas – diz o bom Gregório de Tours – ‘Clotilde orou tanto pela recuperação da criança que Deus lha concedeu’. Assegura também o cronista que Clotilde não cessava de falar a Clóvis do Deus dos cristãos. Sem resultado? Quem pode calcular a sorte das sementes que a fé e o amor lançam no mais íntimo de uma alma, deixando a Deus o cuidado de fazê-las germinar?” [1]

Mas é em uma batalha contra os Alamanos, que as sementes da fé lançadas por Clotilde germinam, ao perceber a derrota iminente de suas tropas, Clóvis lança um olhar aos céus e faz uma promessa pedindo o socorro e em troca assumindo que acreditaria no Deus de Clotilde e que seria batizado. A vitória veio com a debandada das forças Alamanas. Em 496 d.c. depois de ser catequisado por São Remigio, foi batizado na Catedral de Reims, ali nascia a grande França Católica (fils aîné de l’Église – filha primogênita da Igreja) que depois com a pregação e luta de outros grandes santos levaria toda a Europa a aderir a fé da Igreja. (2)

Referências

  1. DANIEL-ROPS, Henri. A Igreja dos tempos bárbaros. Quadrante: São Paulo, 1991, p. 197.
  2. Padre Paulo Ricardo – https://padrepauloricardo.org/aulas/a-conversao-de-clovis-rei-dos-francos

 

Por Jefferson Teixeira
Paroquiano